QUAL É O TEU PREÇO?Então disse Jacó:
- Vende-me a tua primogenitura?
E disse Esaú:
- Eis que estou a ponto de morrer, e para que me servirá logo a primogenitura? Gn. 25:31 e 32.
Esaú usou a linguagem, cuja visão não ultrapassava as margens limitadas da necessidade imediata.
Leitor amigo está diante de um quadro curioso, pois representa a longa história da humanidade pintada nas cores vivas do caráter do homem.
Adquirindo o suficiente para comer e beber hoje, por que se incomodar com o dia de amanhã? Satisfeitas com as necessidades materiais, para que ambições maiores com os valores espirituais?
Tivesse Esaú valorizado a benção e o privilégio dos primogênitos na família patriarcal, certamente não teria friamente vendido a sua herança tão valiosa por um prato de lentilhas!
Quanta vantagem tinha o primogênito, entre elas podemos citar:
Primazia na tribo, herdando em porção dobrada tudo que o pai possuía Deut. 21:17.
a) Líder da família, sucessor do pai no trono, II Crônicas 21:03.
b) Honrado e condecorado na sua linhagem, Êxodo 34:20.
c) Futuro herdeiro da terra prometida, com direito a reparti-las para si e para seus filhos, Josué 14:1.
d) O seu nome era respeitado como o sucessor do futuro Messias, Romanos 8:29 e Lucas 2:7
Isso apenas parte das vantagens que envolvem o título de primogênito. Porém os olhos sensuais e interesseiros de Esaú, não podiam apreciar o valor e a beleza de tais privilégios. Vendeu todo este direito e esta fortuna por um simples prato de lentilhas. Que decepção!
No entanto, caro leitor, a história da humanidade está repleta destes tristes fatos, e nós temos presenciado estarrecidas, criaturas que se vendem em torno de negociações perversas. Homens e mulheres que vendem seu caráter vendem seus amigos como Judas, vendeu Jesus por trinta miseráveis moedas, Mt. 26:14 e 15.
Pobres e desprezíveis mercadores, descendentes de Esaú.
A pureza da sinceridade não obriga tola nem maliciais, além disso, tem seus reflexos não só na vida mental e espiritual e até na conduta do impuro, nada vê, nada percebe e nada de bom pode mostrar no seu semblante.
Num drama de Shakespiere, quando os assassinos de um personagem de Macbeth, tenta dirigir uma prece a Deus, ela lhes pressiona a garganta, porque com as mãos manchadas de sangue e o coração impuro, não podiam produzir nem traduzir pensamentos e sentimentos na presença de Deus que é puro e santo. A ponto de exigir do adorador esta condição:
Limpai a mão pecadores, e vós de duplo ânimo, purificai os corações. Senti as vossas misérias, lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e vosso gozo em tristeza.
Humilhai-vos perante o Senhor, e Ele vos exaltará, Tiago 4:7-10.
A terra está cheia de descentes de Esaú, prontos a se venderem sem levar em consideração o preço. A Ingratidão entre as criaturas tornou-se proverbial. Conta-nos as histórias de Roma, que o governo César Tibério era pacífico e reparador; a imensa multidão dos cidadãos o via com agrado, menos alguns publicamente exaltados.
Temos em Bruto e César a personificação da ingratidão, pois a ele o imperador tinha dado ricos presentes e confiado missões nobres para o bem comum, tendo Bruto se encarregado da própria segurança de César, aproveitando-se da confiança que desfrutava para planejar a morte do seu senhor. César foi informado da conspiração, mas não acreditou, e arrancando-se dos braços da mulher. Calpurnia, em pleno mês de março do ano de 44 a.C. César, entra no senado, e todos se erguem em sinal de respeito.
De repente Cimbar um dos cúmplices – agarra as dobras da toga do imperador. Era o sinal combinado entre os assassinos. Todos os conjurados puxam a espada, César procura se livrar quanto Bruto o apunhala pelas costas. Virando-se, César ainda pode pronunciar: “E tu também meu filho!” Enquanto tomba morto aos pés da estátua de Pompeu.
Amigo leitor: Qual é o teu preço?
Prestamos atenção a estas importantes frases de Jesus: “Pois que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a própria alma?” Marcos 8:36.
Quantos vivem apenas para os interesses mesquinhos desta vida, e por tais interesses, caluniam, difamam e assassinam velhos amigos, benfeitores, correligionários políticos e até irmãos na fé, companheiros de ministério! Amigo, qual é o teu preço?
Jesus revelou que a alma humana tem um valor acima de todos os cálculos convencionados e a gratidão é um dos principais deveres dos cristãos: “E a paz de Deus, para a qual fostes chamados em um corpo, domine em vosso coração, e sedes agradecidos”, Colossenses 3:15.
Nosso século foi chamado de Tartufo por Montegaza, no seu livro “O século Tartufo” por causa da hipocrisia humana, em toda a parte, especialmente na linguagem. Muitos dos homens de hoje não sustentam em pé o que afirmam sentados.
Conta-se que na sala de um convento, o teólogo Tomás de Aquino, enquanto se achava debruçado sobre os livros, foi chamado por um frade folgazão, para ver, lá fora, um boi que voava. Calmamente, vai o teólogo ao átrio do mosteiro e olha para os céus, seriamente.
Admirando sua aparente credulidade, o frade desatou a rir diante do que disse Tomás de Aquino: __ “Eu preferi admitir que um boi voasse a acreditar que um religioso pudesse mentir...”.
“Seja o vosso falar, sim, sim, não, não”. Mateus 5:37.
Com isso Ele exigiu de cada criatura caráter íntegro honesto e verdadeiro antes de tudo consigo mesmo.
Preclaro leitor: Qual é o teu preço?
O que estás ganhando com fuxicos, mexericos, semeando contendas. Qual o teu preço? As conversações insípidas, quando tens invejas de outrem, quando aviltas as virtudes? Qual o teu preço? Caim trocou a paz de espírito pela cruel inveja, tornando-se o primeiro criminoso da história quando se insurgiu contra o seu irmão Abel, Gênesis 4:8. José do Egito, protótipo de Cristo, sofreu de seus irmãos, devido seu caráter puro e espírito justo. Êxodo 37:20-21. Herodes encerrou João Batista na prisão de Makeros e o degolou numa noite de festa e bebedeira – Mt. 14:6-12. Sócrates, sábio moralista, foi condenado a beber cicuta, porque foi acusado injustamente, de corromper a mocidade grega. Tiradentes, protomártir da nossa independência, foi enforcado pelo seu ideal patriótico, mas Silvério dos Reis, o delator, cobrou um preço: a isenção de alguns impostos.
Leitor amigo, qual é o teu preço?
Sede cuidadoso com a vossa troca. Não permute pérolas por refugo!
“Guarda bem o que tens, para que ninguém tome a tua coroa”. Apocalipse 3:11.
Pr. Dr. Eliseu Feitosa de Alencar - Extraído do seu livro "Qual é o teu preço?" abril de 1990